Onde há muito mais de nós mesmos...

Por Regiane Litzkow



Vidinha mutante...



Minha vida(interior) não parece uma história contínua jamais. As fases que vivo são tão diferentes umas das outras, e começam de forma tão brusca que parece que a cada mudança que ocorre na minha vida eu renasço. Não tenho amigos desde a infância, não sou o que queria ser quando criança, não tenho sonhos para o futuro... As coisas apenas acontecem. E a cada acontecimento desse eu tenho a impressão que recomeço a escrever minha história numa página em branco. Psicologicamente falando eu sei que não é assim, óbvio. Mas é que me sinto tão desgarrada em relação ao que vivi quando começo alguma nova etapa que parece que começo dali, daquele instante. Não que eu não me apegue a nada, muito pelo contrário, talvez até o medo de me apegar demais me leve para outros caminhos,mas a verdade é que tenho a mania de me apaixonar enlouquecidamente pelo presente...Por um lado isso me ajuda esquecer o que passou e a não ter a necessidade gritante de viver o ontem, reviver momentos. Me acostumei a ir descobrindo os lugares novos, as pessoas que me rodeiam, as músicas que tocam ali, os cheiros que sinto no momento. E depois de algum tempo, como uma cigana que nunca pára, viajo para outra realidade, para outro universo e o processo se repete. Minha vida é uma eterna readaptação e quem tenta me prender no "para sempre" geralmente se decepciona comigo. Só me encanto verdadeiramente com o que realmente tem siginificado pra mim e aquilo que me dá mais trabalho pra conquistar e nesses casos muitas vezes quem se decepciona sou eu; porque sempre me sinto atraída pelo inatingível ou por aquilo não agrada a maioria...

Eu ultimamente tenho questionado muito essa coisa de satisfazer a vontade dos que me rodeiam..Sinto que ao longo do tempo fui construindo uma imagem, um perfil e quando resolvo variar acabo frustrando as expectativas de alguns.Sei que as pessoas realmente gostam de mim, mas ao mesmo tempo tenho a sensação de que elas não me conhecem, não sabem de fato o que eu sinto, o que quero; quem eu sou e isso me proporciona uma certa culpa, eu já sofro de culpa congênita; isso já é sabido, mas nesse caso me sinto como se tivesse enganando todo mundo inclusive a mim mesma, de certa forma me corrompendo, deixando de viver o que realmente acredito.Não que eu me sinta o tempo todo mascarada, só não queria ficar limitada a um rótulo; fazer o que dá na telha sem a preocupação excessiva de chocar quem quer que seja. Pode até ser exagero meu mas isso me incomoda um tanto...Mas por outro lado fica complicado ser feliz sabendo que nossas escolhas entristecem pessoas queridas...Um verdadeiro dilema!!!

O fato é que por mais que seja difícil eu preciso mesmo me posicionar e começar me libertar de algumas correntes, é bem verdade que as cirscuntâncias em que me encontro devido ao meu estado de saúde só fazem desse processo um tanto quanto mais lento, mas o que eu mais queria neste momento era bater asas rumo ás minhas conquistas. E pensar nisso tá me deixando inquieta, roubando meu sono e me fazendo chorar baixinho na calada da noite debaixo do edredom...Mas é fase logo logo passa, mas enquanto isso fico aqui perdida nas confusões que eu mesma me atiro.

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