Onde há muito mais de nós mesmos...

Por Regiane Litzkow



Sobre o amor...

Às vezes temos convicções que não conseguimos expressar. De repente vem alguém e aborda fielmente o que você pensa sem qualquer dificuldade.
Há tempos que desejo falar à respeito do amor. Hesitei muitas vezes por me faltar as palavras. Hoje, divagando madrugada afora pela web, deparei-me com esta crônica do Artur Da Tavola, cujo seu conceito de amor é fiel ao que sempre cri, mas não tive competência para exprimir...

Aos casados há muito tempo, aos que não casaram, aos que vão casar, aos que acabaram de casar, aos que pensam em se separar, aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar... Enfim; todos deviam ler:

"Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o AMOR ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar a gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado.
Tem algum médico aí?

Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O AMOR. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam que tem o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe o sexo.

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolveram dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero.

Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor, só não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina pra educar filhos, dar exemplos, não gritar. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança.

Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, ‘solamente’, não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade.

Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar pra sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta..."

Se eu acrescentar qualquer comentário, estragarei a perfeição da comunhão que há entre mim e essa idéia.

5 comentários:

Anônimo disse...

Não concordo com essas palavras... I corintios 13 retrata bem o que é o AMOR e se soubermos viver o amor revelado na palavra de Deus, somente ele bastará!

"O AMOR,tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta!"

Regiane Litzkow, disse...

Olá, amigo(a) Anônimo!

Agradeço sua visita e comentário, porém, não entendi sua colocação. Você afirma discordar do post e justifica utilizando um trecho da primeira carta do missionário Paulo ao povo de Corinto. Do qual comungo da mesma opinião, e mais que isso; creio que as palavras do Apóstolo complementam o que Artur da Tavola exprime no texto transcrito. Pois, Paulo evidencia outros sentimentos imprescindíveis, tais como a paciência, a tolerância entre outros que se não vierem acompanhados do amor o descaracterizam.
De todo modo, fique sempre à vontade para opinar neste espaço.
Que o verdadeiro amor seja constante em nós!

Grande abraço!

Flor disse...

flor linda :)
citei um diz seu no blog e linkei pro seu, ok?
bj bj

kah flor disse...

passando pra deixa um beijo e flores

Dennys Távora disse...

Regi querida, o texto é singelo. A simplicidade, aliás, é um dos seus maiores trunfos. Propõe uma espécie de fórmula de preservação do amor. Sábia fórmula!
Diz a sabedoria popular, numa dessas frases feitas, que o amor é como um cristal, pois, quando quebra, nunca voltará a ser igual. Acrescentaria que o amor é um raríssimo cristal, pois difícil de ser encontrado e muito valioso. Quanto o encontramos, devemos, portanto, protegê-lo para que não se quebre.
Não tenho mais idade para ser ingênuo, mas ainda acredito num amor imortal. E tal idéia não está em contradição com o texto do Artur Da Távola.
Creio que o amor, por ser capaz até de gerar uma nova vida, pode se perpetuar. Porém, tal atributo da imortalidade não lhe é inato. Deve, sim, ser construído continuamente.
É mediante o respeito, a compreensão, a paciência, a valorização do outro, a ausência de competição, o jogo de cintura, o bom humor, os silêncios oportunos, o saber escutar e o saber calar, a disciplina, os bons exemplos, a confiança e o respeito do espaço do outro, dentre outros fundamentos, que se constroem os alicerces da imortalidade do amor.
Texto genial! Daqueles para guardar na memória, reler diversas vezes ao longo da vida para jamais se esquecer dele e, o mais importante, colocá-lo em prática diariamente. Vale a pena!
Beijo carinhoso.