Onde há muito mais de nós mesmos...

Por Regiane Litzkow



Amiúde


Papai chegou neste sábado e calhou d'ele vir justamente nesta semana em que eu estaria uma pilha de nervos, por conta de uma prova que farei no domingo.
No início prometi pra mim mesma que não me desconcentraria, que estudaria toda a semana como se ele não estivesse aqui, prometi para minha consciência que era por uma razão, cujo, resultado depois o compensaria... Promessa estupida!
No íntimo do meu coração eu sabia que não cumpriria, o que previsivelmente foi fatal...
Cá estou, na tentativa frustrada em me compenetrar, procurando em vão decorar decretos, portarias, enquanto ouço enternecida os hinos que ele assovia ou cantarola, preparando meu prato predileto... Então, como no café da manhã, nos sentaremos para comer, vamos filosofar um tanto, relembraremos pessoas e situações de outras épocas, discutiremos ideais políticos, religiosos, musicais, ele resmungará que estou comendo pouco, eu por minha vez desconversarei, vamos assistir ao noticiário, ele vai implicar com alguma propaganda, ao fim naturalmente irá cochilar, eu vou rir disso com ternura, depois vou cochilar também repousada em seu colo, acordaremos depois, ele fará rosquinhas de açúcar com café fresquinho e tudo se repetirá... Assim só estudarei a noite quando ele já estiver dormindo.
Pode parecer irresponsabilidade minha, mas, a verdade é que a presença dele enche essa casa - e meu coração - de modo inexplicável, colore os dias e me tira um fardo das costas. É como se eu voltasse à infância, despreocupadamente, e minha única função; ser a filhinha dele.
E pra ser sincera tô serena, como dizia o poeta: Temos que amar as pessoas como se o amanhã não existisse.
Sei que este é o meu melhor investimento; o amor em toda a sua simplicidade, que nada exige, é espontâneo e por conseguinte inevitável...

3 comentários:

Adriane disse...

Regiii finalmente consegui comentar aqui, tentei mais de mil vezes!
Fique sabendo q sempre achei linda a relação entre vcs e seu pai. Creio q todos queriam um paizão assim, nota 1000 feito o seu!!!
Beijokas e continue postando seus textos lindoooos aqui

Kelly disse...

Devia escrever mais! Te amo!

Dennys Távora disse...

Regi querida, é nítido o enorme amor e o carinho que você dedica ao seu pai. O inverso, com toda certeza, também é verdadeiro. Emociono-me quando leio as passagens que você conta dele.
Sempre tive os meus pais perto de mim, o que considero uma bênção e um privilégio. Você bem sabe o quanto sou ligado à minha família. Sempre tiveram de lutar muito nesta vida. Hoje, tento lhes dar o conforto e a alegria que merecem. Graças a Deus, estão bem e com saúde. Há um probleminha aqui e outro ali, mas não posso reclamar. Sou grato a Deus por conservá-los tão bem.
Aprendi muito com os meus pais. Da minha mãe, acho que adquiri a paciência, o gosto pelo trabalho bem feito, a alegria de viver e a capacidade de amar incondicionalmente. Do meu pai, carrego, principalmente, a simplicidade e a honestidade. A generosidade, se a tenho, herdei dos dois. Meus amados pais são tesouros preciosos que tenho.
Não lamente as horas de estudo perdidas. Muito mais preciosos e marcantes são os momentos que você desfrutou perto do seu pai.
Coincidentemente, escrevo este comentário num momento em que ele se encontra novamente em casa, ao seu lado. Aproveite, então, cada instante ao lado dele. Ele é uma pessoa especial, que aprendi a admirar e amar, mesmo sem conhecê-lo.
Beijo carinhoso.